Forjando o caminho para o crescimento sustentável na mineração: o papel da recuperação de valor a partir do rejeito
A transição energética está em andamento – energia solar, eólica, veículos elétricos e baterias em rede estão sendo usados em índices inéditos. Enquanto essas tecnologias são indubitavelmente limpas em sua operação, ainda existem perguntas sobre o quanto elas são limpas em sua fabricação. A Comissão de Transição Energética estima que quase seis bilhões de toneladas de aço, cobre e alumínio serão necessárias para a implementação de tecnologias limpas até 2050. A mineração e a fabricação desses materiais, historicamente, não tem sido muito limpa. Mas isso está mudando.
Novas tecnologias que transformam o rejeito da mineração em valor podem ajudar a garantir que a nossa transição para uma economia limpa seja realmente limpa por completo. As mineradoras agora terão a oportunidade de abraçar a economia circular, forjando um caminho sustentável para o crescimento e, ao mesmo tempo, entregando produtos sob demanda.
O Problema
O acúmulo de grandes volumes de rejeito tem sido, há muito tempo, uma faceta controversa da mineração. O Centro de Reabilitação de Áreas Mineradas da Universidade de Queensland revelou números impressionantes: em torno de 3500 projetos de grande escala, juntos, produzem 110 bilhões de toneladas de rejeito sólido por ano. Para termos uma perspectiva mais vasta, o Global Tailings Review estimou uma extraordinária pegada de 280 bilhões de toneladas métricas distribuídas em 8500 estruturas de armazenamento de rejeitos em todo o mundo, potencialmente contendo mais de 3,4 trilhões de dólares em metais preciosos.
O custo de armazenamento e gestão de rejeitos é um flagelo para as Demonstrações de Resultados das empresas, e as implicações se estendem além do valor monetário. A disposição em aterro é um método comum de disposição de rejeito industrial que gera várias ameaças ambientais já bem compreendidas. A lixiviação de metais pesados e outras toxinas dos aterros de rejeitos, combinadas com o aumento de custos e a redução dos espaços para aterros, deixam clara a urgência por soluções inovadoras. Além disso, desastres não previstos como o rompimento de barragens de rejeitos ou, mais recentemente, a prolongada contaminação tóxica depois de um século de fundição de cobre no estado de Montana, nos EUA, amplificam as preocupações sobre as práticas tradicionais de gestão de rejeitos na mineração.
A Solução: Retirar Valor do Rejeito
Como parte da mudança para uma mineração sustentável, novas tecnologias que estão em desenvolvimento vão possibilitar às empresas não apenas reduzir a quantidade de rejeito, mas também recalibrar seus processos para extrair valor do rejeito. A Vale e outras empresas similares estão na vanguarda, gerando areia ecológica para os consumidores e ao mesmo tempo diminuindo a quantidade de rejeitos enviados para barragens.
Grandes empresas também estão ecoando a importância da recuperação de valor do rejeito. A parceria da Rio Tinto com a RESOLVE criou a Regeneration, uma iniciativa para reabilitar ambientes naturais e derivar valor do rejeito de mineração. Empreendimentos desse tipo não apenas restauram os equilíbrios ambientais como também introduzem novos fluxos de receita, enfatizando a simbiose financeira e ambiental que pode ser alcançada através de tecnologias avançadas de recuperação de valor.

A Boston Metal do Brasil, é o local do primeiro lançamento comercial da nossa tecnologia de Eletrólise de Óxido Fundido para a recuperação de metais de alto valor a partir do rejeito da mineração.
Avanços tecnológicos como a nossa Eletrólise de Óxido Fundido também estão reformulando a abordagem da indústria com relação ao rejeito. Ao invés de meramente gerir os rejeitos, as empresas agora os utilizam como depósitos já minerados, substituindo completamente os processos tradicionais de exploração e mineração. Ao utilizar eletricidade para seletivamente extrair metais de alto valor como nióbio, tântalo e estanho desses rejeitos de baixa concentração, a empresa não está apenas mantendo o mesmo volume de rejeito: ela vai também criar novas fontes de receitas. Em suma, o que antes enxergávamos com um passivo é agora um recurso valioso, esperando para ser explorado.
Reciclagem e Além
Enquanto a recuperação de valor está em ascenção, a reciclagem ainda tem um papel importante a desempenhar. As taxas de reciclagem de metais variam consideravelmente; enquanto 86% do ouro encontra seu caminho de volta para a economia, os números mostram 42% para o alumínio e meros 32% para o cobre. Essa variação revela o potencial inexplorado de intensificar a reciclagem de certos materiais. Interessantemente, a reciclagem também promete uma substancial economia de energia. Por exemplo, a reutilização de escória de alumínio usa aproximadamente 90% menos eletricidade do que sua produção a partir do minério bruto de bauxita. Ou seja, o desenvolvimento de uma cadeia de suprimentos nacional para a reciclagem de metais é importante, considerando as emissões causadas pelo transporte na importação e exportação da escória.
Incentivos fiscais estão cada vez mais alinhados para favorecer a reciclagem, como fica evidente pelos preços crescentes da escória. No último ano, o preço do quilo de latinhas de bebida usadas teve um aumento de 78%, sendo comercializado a US$ 3,04, de acordo com o S&P Global Commodity Insights. Esses motivadores financeiros, aliados aos benefícios ambientais, demonstram que a reciclagem, junto com a recuperação de valor, é crucial na formatação de uma economia minerária sustentável e circular.
Uma Visão Circular do Futuro da Mineração
À medida em que a eletrificação e o crescimento industrial dominam o mundo, as oportunidades para nações ricas em minérios, como aquelas do “triângulo do lítio” e outras com vastas reservas de cobalto e bauxita, são imensas. Com a previsão dos investimentos globais em mineração excedendo $1.7 trilhão de dólares, o envio de uma porção significativa desse valor para essas regiões em desenvolvimento poderia mudar suas economias e sociedades para melhor.
O futuro da mineração agora depende de rigorosos padrões ambientais, sociais e de governança para proteger as comunidades e seus ambientes. Organizações como o Conselho Internacional de Mineração e Metais estão preparando o caminho, ao oferecer orientações para países e indústrias neste momento crítico. A implementação de novas tecnologias inovadoras para recuperar metal do rejeito da mineração e promover práticas de reciclagem mais sustentáveis vai ter um papel fundamental nessa transformação necessária.
Sobre a Boston Metal do Brasil
A Boston Metal do Brasil é pioneira na aplicação da tecnologia Eletrólise de Óxido Fundido (MOE, em inglês) para produção de metais críticos de alto valor. Como uma alternativa eficiente e sustentável, a empresa utiliza rejeitos da mineração e escórias da metalurgia para produzir ferroligas de nióbio, tântalo e estanho, essenciais para a industrialização avançada. Com uma equipe altamente especializada e uma localização estratégica próxima a São João del-Rei, Minas Gerais, ela é uma subsidiária integral da Boston Metal, empresa sediada nos Estados Unidos que está redefinindo a produção global de metais.
Contato: comunicacao@bostonmetal.com
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